Ortopedista leva modelo de saúde brasileiro para Miami

CHRIS DELBONI – COM LILIANA PINELLI

06 Março 2015 | 09h 22

Neymar Cabral inaugura neste mês a Brazilian Clinic e o Brazilian Plan

A maioria das crianças não sabe o que quer fazer quando crescer e muda de ideia constantemente até bem mais tarde na vida. Outros nunca descobrem. Já Neymar Cabral de Lima nunca teve a menor dúvida.  Sempre soube que medicina seria sua profissão e sua missão de vida.

“Não me lembro de ter pensado em ser outra coisa a não ser médico desde que me entendo por gente”, conta.  “E, com o tempo, descobri que minha vocação não era só para fazer medicina, mas ortopedia.  Sou apaixonado por ortopedia porque a ortopedia diz respeito a construção, diz respeito a resolver um problema.”

E conseguir resolver o problema do paciente é a maior satisfação do cirurgião ortopédico, que fundou o Instituto Ortopédico de Palmas em 1994, logo após sua residência, e agora espera trazer para o sul da Flórida o mesmo conceito do que se tornou um grande centro de atendimento médico no Tocantins.

Dr. Neymar Cabral de Lima inaugura a Brazilian Clinic em março
Dr. Neymar Cabral de Lima inaugura a Brazilian Clinic em março (Foto: Toddy Holland)

“O papel do médico não é resolver o seu problema – é resolver o problema do outro”, diz.

E é esse papel que ele espera desenvolver com a Brazilian Clinic, um centro médico que vai inaugurar oficialmente dia 19 de março, e o Brazilian Plan, um plano de saúde pré-pago.

“Nós estamos aqui para resolver o problema de qualquer pessoa que nos procure”, diz, convicto.  “Quero poder resolver o problema do meu paciente.”

Até agora, Dr. Neymar gastou cerca de US$ 400 mil na reforma da clínica em Pompano Beach, ao norte de Miami, onde mora uma grande parte da população brasileira trabalhadora na região. O objetivo era criar uma réplica mais parecida com o atendimento médico no Brasil, diz ele.

“O projeto é todo original.  Não é um projeto americano”, afirma.  “O tamanho dos consultórios tem a ver com uma clínica ambientada para o brasileiro.”

São seis consultórios, cada um com uma mesa espaçosa para o profissional, duas cadeiras para o paciente e seu acompanhante e não há uma barreira de vidro ou qualquer outra entre a porta de entrada e uma sorridente recepcionista que fala português.  As paredes não são totalmente brancas como em hospitais, mas pintadas de verde e azul, as cores do logo.

“Uma boa parte dessa geração quando veio para o território americano veio com o objetivo de ganhar algum dinheiro e retornar ao Brasil.  Hoje, a maioria já chegou à conclusão de que não vai voltar ao Brasil, e está há 10-15-20 anos sem um check-up na sua saúde, sem um controle da pressão arterial, sem um controle  de diabetes, mulheres sem uma mamografia – um exame preventivo”, diz. “Esse é o objetivo da Brazilian Clinic, ser uma referência: ‘lá vão falar minha língua, lá serei recebido e alguém vai tentar resolver meu problema’.  Obvio, se vai resolver, vai depender de nossa competência e de nossa disposição de construir ferramentas.”

Mas, ao menos, vão tentar, diz dr. Neymar, que contou um caso de uma paciente que já tinha visto 21 médicos antes de chegar nele.  Ele não conseguiu resolver seu diagnóstico na época, mas ficou comovido com o comentário da paciente: “Obrigada, o senhor foi o primeiro médico que olhou para mim”.

E é esse tipo de consideração que ele espera desenvolver com a marca Brazilian Clinic.

“A comunidade brasileira e hispana tem uma necessidade de um atendimento mais humanizado, de um profissional com o qual se identifique, que possa se comunicar de uma forma adequada e eficaz”.

Dr. Neymar diz que o nome chegou a ser criticado pela comunidade brasileira no início, mas ele insistiu em colocar “Brazilian”, com “z” como se escreve em inglês, na clínica e no seguro saúde.

“Por ter o maior orgulho de ser brasileiro e acreditar que um brasileiro e uma empresa brasileira podem fazer a diferença em qualquer segmento, em qualquer lugar, fiz questão em construir um plano pré-pago com o nome de Brazilian Plan e uma unidade física com o nome de Brazilian Clinic.

O plano de saúde veio primeiro.  Vendo que cerca de 150 mil brasileiros não têm acesso a qualquer seguro de saúde formal na região por não estarem propriamente documentados no país e não terem o “social security”, que seria o CPF, dr. Neymar resolveu se agregar à americana ProMedical Plan, ou ProMed como é conhecido, dentro do plano Prepaid Health Clinic (PHC), que oferece um seguro pré-pago a qualquer pessoa, em qualquer idade, sem qualquer exigência imigratória ou condições de saúde preestabelecidas, como o diabetes. O Brazilian Plan, que hoje tem cerca de 500 membros, se associou ao plano para facilitar a comunicação e informação para brasileiros.  Os preços variam – mas não são exorbitantes – na faixa de US$ 70 por mês, com visitas por US$ 10.  O plano é composto de cerca de 600 médicos, mas poucos brasileiros.

Assim, o dr. Neymar resolveu criar um ponto físico para atender a pacientes com qualquer tipo de seguro, inclusive o Brazilian Plan, e preencher o vácuo da falta de médicos brasileiros no plano de saúde.

Ele não tem intenção de revalidar seu diploma nos Estados Unidos e mantém com todo vigor e em expansão seu instituto no Tocantins, onde passa alguns dias todo mês, hoje não mais clinicando, mas administrando o IOP, com cerca de 15 médicos sob seu comando.

Sua mulher e dois filhos estão estudando no sul da Flórida, inclusive um está na Universidade de Miami, se preparando para seguir o caminho do pai, na medicina.

Aqui, dr. Neymar supervisiona todos os passos da Brazilian Clinic, como se fosse um bebê em crescimento, até que consiga andar sozinho.  No momento, a clínica é composta de seis médicos, nem todos brasileiros (mas todos falam ou ao menos entendem português), ou todas as especialidades.  Mas o objetivo é expandir, não só no numero de especialistas, mas também de clinicas no sul da Flórida, criando uma forte rede de saúde com um toque brasileiro.

“Nosso objetivo é transformar esse espaço num ambiente que seja uma grande referência médica do Brasil fora do Brasil – e vamos trabalhar para isso”, diz.  “Me agrada muito a ideia de somar competência, de potencializar resultado, um trabalhando ao lado do outro.”

E foi assim que também construiu o Instituto Ortopédico de Palmas, hoje referência em ortopedia e serviços médicos na região.

Neymar nasceu em Porto Velho, Rondônia, onde seus avós se estabeleceram quando chegaram da Paraíba para trabalhar na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a ferrovia da morte.  Com 15 anos, ele foi estudar em Goiânia, onde morava um tio.  Lá cursou a Universidade Federal de Goiás e fez residência no Instituto Ortopédico de Goiânia.

“Fiquei em Goiânia até o final da minha formação que coincidiu com o início da criação do Estado do Tocantins.  Cheguei em Palmas em fevereiro de 1994 com um único objetivo: a construção de um serviço que fosse referência em ortopedia”, diz.  “Não que fosse o maior, mas que fosse uma referência em qualidade em atendimento ao publico.”

Pioneirismo é sua essência, diz, e agora chegou a vez da Flórida.

“Quero fazer sempre algo que possa ser relevante, que possa fazer a diferença. Me agrada a ideia de deixar um legado.”

No vídeo, Neymar Lima conta o segredo do seu sucesso e deixa um recado para os jovens:

Dr. Neymar Lima revela o segredo do seu sucesso – de Tocantins ao sul da Flórida – Direto de Miami @estadao.com.br/diretodemiam from Chris Delboni on Vimeo.

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Categories: Direto de Miami

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