A história do office-boy brasileiro que se tornou CEO do Banco do Brasil Americas nos EUA

CHRIS DELBONI – COM LILIANA PINELLI

14 Novembro 2014 | 17h 05

Brasileiro relembra trajetória humilde, que começou no Brasil, e diz que segredo do sucesso é a ‘consistência’

Quem conhece Antonio Cassio Segura, CEO do Banco do Brasil Americas, no estado da Flórida, nos Estados Unidos, não imagina a longa e árdua trajetória que ele percorreu para chegar onde está. O homem responsável por gerar um crescimento de 257% no BB Americas, entre julho de 2013 até junho de 2014, tem uma bela história de superação. E pensar que tudo começou em outra Flórida,  só que a paulista, a 600 Km de São Paulo, onde ele nasceu.

Toddy Holland.
Cassio Segura, presidente do Banco do Brasil Americas, em sua casa em Coral Gables (Foto: Toddy Holland/Jade Matarazzo Photography)

Cassio começou a trabalhar ainda bem garoto. Aos 8 anos, já era o responsável por limpar a casa simples de madeira e pelo jantar da família inteira que passava o dia trabalhando duro.  “Eu era o cozinheiro”, brinca Cassio, hoje com 46 anos.  “Não era nada sofisticado. Uma batatinha frita, um arroz…”.

Quando Cassio nasceu, o pai, “seu Maninho” como todos o conheciam, era meeiro de café e trabalhava na roça com a esposa, dona Zilda, o irmão, José Nilton, e as duas irmãs, Maria e Leonice.

Mas, nos anos 70, uma geada acabou com a plantação e fez a família se mudar para a cidade.  Chegando lá, foram ajudados por Eduardo Kenichi Umehara, um japonês que deu uma casa para eles morarem e emprego.  “Seu Maninho” passou a dirigir um caminhão, o irmão, um trator. A mãe foi ser cozinheira em uma creche.

Umehara foi um dos anjos da guarda que deixaram a marca da bondade no coração de Cassio, que tenta fazer o mesmo com quem passa pela sua vida. “Nossas vidas são feitas de pequenas ações que vão se somando e acabam fazendo a diferença. Tento retribuir sempre isso”, diz.

Apesar das dificuldades, sua infância não lhe deixou trauma ou revolta, mas boas lembranças, gratidão e carinho por todos que lhe ajudaram no decorrer dos anos. Ele conta que, recentemente, brincou  com um amigo de infância que estava em Miami: “Você sempre foi rico. E ele disse: não, cara. Você que era muito pobre”.

Toddy Holland
Um dos hobbies de Cassio Segura, presidente do Banco do Brasil Americas, em Miami é sua bicicleta

Desde pequeno, Cassio aprendeu a tomar responsabilidade pelos seus atos, uma atitude que lhe acompanhou em toda a sua vida. “Procuro colocar a responsabilidade em mim mesmo, não terceirizo”, diz. Assim foi há alguns anos.  Ele sentia que seu crescimento na empresa estava um pouco parado e resolveu fazer mestrado. Com aulas duas vezes por semana seria impossível permanecer na posição que tinha, que exigia muitas viagens. Decidiu arriscar e aceitou um cargo inferior para abrir novas chances no futuro. E foi o que aconteceu. Logo depois foi promovido novamente, concluiu o mestrado em três anos e aprendeu uma valiosa lição: “A gente tem que ter calma e paciência. Às vezes, você está pronto para uma promoção, mas não tem a vaga. Às vezes, tem a vaga, mas você não está pronto. Tudo na sua hora”, diz Cassio.

Ensinamento que aprendeu ainda menino, quando descobriu que tinha de aproveitar as oportunidades. Com 11 anos, estudava à noite para trabalhar de manhã como frentista. Aos 14, foi ser office-boy num escritório de contabilidade, no mesmo ano que seu pai faleceu.  Com 16, entrou para uma empresa maior e decidiu fazer um curso técnico de contabilidade na cidade vizinha. “Pensei: sei que não vou ter dinheiro de fazer faculdade mesmo”, relembra Cassio.

A jornada era pesada: acordava às 5h30 para trabalhar, depois seguia para o curso e retornava para casa quase meia-noite, de trem, ônibus ou carona. Com 17 anos, passou num concurso do Banco Itaú, em Rondônia, onde começou sua trajetória de bancário, como escriturário.  Dois anos depois, outra chance: um concurso no Banco do Brasil, onde vem fazendo carreira nos últimos 26 anos. Passou por diversos estados, cargos e promoções até chegar na “Flórida americana”, na posição mais alta do Banco do Brasil Americas.

E não só completou faculdade, como adquiriu dois MBAs pela Universidade de São Paulo, mestrado pela FEI e está completando outro MBA em Chicago.

Cassio diz que não tem medo de mudanças.  Pelo contrário, acha que elas são necessárias para o crescimento pessoal e profissional.  E esse é o segredo do seu sucesso: flexibilidade com consistência e muita honestidade e integridade nas atitudes, valores que aprendeu dentro de casa, na simplicidade de sua família.

Toddy Holland
Cassio, com a esposa Patricia e filhos, Maria Fernanda e Antonio, saem para festejar Halloween, o dia das bruxas, nos EUA

Seu irmão hoje é caminhoneiro, a irmã Maria é diarista, ambos em Flórida Paulista, e Leonice é servente numa escola pública em Mato Grosso. “A gente não é; a gente está. Eu não sou o CEO do banco.  Eu estou o CEO.  Tenho um papel e sei que aquilo não é infinito. Em algum momento, vou sair e dar lugar para outra pessoa continuar e até fazer um trabalho melhor do que estou fazendo. Não há deslumbramento”, diz.

Sua mensagem para os jovens?  “A habilidade é consequência de muito esforço e muito trabalho. Seu talento vai ser potencializado com a habilidade que você adquire com treinamento intensivo.  Se você não se esforçar no treinamento, mesmo aquele talento que tem, você acaba perdendo”.

No vídeo, Cassio Segura fala um pouco mais sobre o segredo do seu sucesso, que é, acima de tudo, consistência:

Conheça o segredo do sucesso de Cassio Segura, presidente e CEO do Banco do Brasil Americas. Por Chris Delboni. from Chris Delboni on Vimeo.

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