Brasileiro promete revolucionar o futebol em Miami

CHRIS DELBONI – COM LILIANA PINELLI

31 Outubro 2014 | 09h 56

Robert Linck Junior é dono do Miami Dade FC e espera repetir nos EUA o que o tataravô fez, em 1903, com o Grêmio, em Porto Alegre

Roberto Linck Junior percebeu que tinha dom para o futebol aos 5 anos. “Eu peguei a bola, comecei a driblar e falei, ‘nossa, sou bom’.”

Desde então, futebol tem sido tudo na vida do tataraneto de Aurélio de Lima Py, o primeiro patrono e nove vezes presidente do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, onde o jovem começou sua carreira.

Pedro Heizer
Roberto Linck é dono do Miami Dade FC

Betu, como é chamado entre os amigos, foi selecionado para a escolinha do Grêmio com 12 anos. Aos 14 se mudou para os Estados Unidos com a família e, em 2010, foi contratado pelo New England Revolution, time da Major League Soccer, a principal liga americana.

Hoje com 26 anos, Linck é dono do Miami Dade FC, um dos times mais promissores da Flórida, e espera repetir em Miami o que seu tataravô fez, em 1903, em Porto Alegre. “Olha hoje o que o Grêmio é.  Estou começando agora o Miami Dade FC, talvez daqui a 100 anos, vão olhar para trás e dizer: ‘Nossa, meu tataravô fundou esse clube. E na época parecia uma loucura colocar um time em Miami”, diz, orgulhoso.  “Me espelho bastante no meu tataravô. Penso, se meu tataravô fez, por que não posso tentar?”

Betu disse que se seu tataravô tivesse conhecimento da recente polêmica de racismo envolvendo o clube, gerada por torcedores na Arena que chamaram de “macaco” o goleiro Aranha que defendia o Santos, ele ficaria muito “triste”.

“A gente trabalha tanto – é tão difícil criar um clube, a gente passa tanta coisa, para vir uma pessoa e tentar destruir tudo”, diz.  “Acho que se ele estivesse vendo o que está acontecendo, ele estaria muito triste porque deve ter trabalhado muito para fazer um clube, fazer um nome, uma tradição toda.”

Mas Betu diz que desafios assim fazem parte e ele está preparado para enfrentá-los com a finalidade de transformar o Miami Dade FC em um campeão.

O time passou a existir oficialmente em 20 de maio. Um mês depois já estava jogando nos Estados Unidos contra o Cruzeiro. Num primeiro jogo com os reserva dos dois times para esquentar, o Miami Dade perdeu de 5 a 1.

“Pensamos, ‘agora jogando contra o time titular deles, vai ser 20 a 1′”, conta Linck, rindo. Mas não. Para surpresa de todos, o jogo ficou empatado até o finalzinho, quando o Cruzeiro fez um gol e ganhou de 2 a 1. Naquele momento, Betu sabia que estava no caminho certo. “Meu maior sonho é ser dono de um time da MLS (Major League Soccer)”, diz, confiante. Hoje, a franquia nesta região pertence ao legendário David Beckham, jogador inglês que está buscando um estádio na grande Miami.

Roberto Linck, com 26 anos, é dono de promissor time de futebol profissional em Miami. Conheça o segredo do seu sucesso. from Chris Delboni on Vimeo.

Linck teve uma reunião em Nova York com Mark Abbott, presidente da MLS, que, segundo o jovem brasileiro, ficou muito interessado nas ideias sobre o Miami Dade FC. Mas deixou claro que o ideal seria uma parceria com Beckham.  A grande questão no momento é se o inglês vai conseguir negociar o local para construção de um estádio para o time.  Se tudo correr bem, e uma parceria for fechada, em três ou quatro anos, o Miami Dade FC pode se tornar um time da principal liga americana.  Caso contrário, Betu imagina que isso aconteça em 2022.

No momento, seu time disputa a liga NAL (National Adult League), uma das divisões independentes nos Estados Unidos, abaixo da MLS. “É um caminho bem difícil mas acredito que a gente tem potencial para chegar lá”, diz com convicção e pé no chão.

Hoje, o time tem 33 jogadores de 11 nacionalidades. Seis são brasileiros. A equipe fica alojada em duas casas em Sunny Isles, a poucas quadras da praia e próximo do elegante Shopping Bal Harbour. Na concentração, à qual Direto de Miami teve acesso exclusivo, os jogadores recebem alimentação equilibrada e coordenada por nutricionistas. Eles também frequentam uma escola de inglês, tudo por conta do time.

Atualmente, os jogadores estão de férias até janeiro e na volta aos treinos poderão ter uma surpresa:  o grupo de investimentos que administra o time comprou uma casa na Biscayne Boulevard, na altura da Rua 83, em Miami. No terreno, está sendo construído um prédio de cinco andares para colocar o time, o escritório da sede e um estúdio.

Betu acredita que o que falta para o crescimento do futebol, o “soccer”, nos Estados Unidos é entretenimento. Ele afirma que se os jogos passassem na televisão com todo o glamour dos espetáculos como acontece com as competições das principais ligas nacionais do futebol americano e de basquete, por exemplo, o esporte favorito dos brasileiros atingiria um público muito maior.

E, por isso, Betu está desenvolvendo um programa de TV, tipo reality show, além de algumas animações em 3D com historinhas onde os personagens são jogadores de futebol para divulgar em canais infantis.

“Quero ser lembrado como o cara que teve uma influência no futebol nos EUA”, diz Linck, que hoje também é um dos jogadores do seu time. Ele havia parado de jogar depois de sofrer algumas fraturas no campo. Mas, agora, está animado para colocar a chuteira de novo. “Não sabia que ia voltar a jogar”, diz ele. “Adoro jogar. Eu entro no campo e sou outra pessoa.”

Mas, fora das quatro linhas, ele também não para. Está preparando para as próximas semanas o lançamento do aplicativo Ginga Scout, que vai permitir um recrutamento virtual de jogadores com potencial para todos os times do mundo. “Eu vejo muito futuro nessas oportunidades”, diz ele. Colaborou Pedro Heizer

Serviço:

1. NOVA SEDE DO CONSULADO DO BRASIL EM MIAMI: Desde 20 de outubro, o consulado do Brasil em Miami está atendendo em nova sede, no endereço 3150 SW 38th Avenue, andar térreo, Miami, Flórida, 33146.  Para saber o horário de funcionamento e outras informações: telefone (305) 285-6200, e-mail cg.miami@itamaraty.gov.br ou visite o site http://miami.itamaraty.gov.br.

2. CURIOSIDADES ELEITORAIS: Miami representa o maior colégio eleitoral do Brasil no exterior, com 22.294 eleitores inscritos, um grande salto desde 2010, quando havia 10.233 eleitores. No segundo turno, dia 26 de outubro, mais de 8 mil eleitores, ou 36,04%, votaram em Miami. Aécio Neves (PSDB) recebeu 91,79% dos votos e Dilma Rousseff (PT), 8,21%.

Twitter @chrisdelboni

 

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